Papo de BFF: nem gorda, nem magra, nem grande, nem pequena

Em plena sexta-feira à noite de fim de mês, eu estou em casa navegando pela internet, quando me deparo com um artigo intitulado "24 coisas que só quem não é gorda nem magra sabe" e isso me remeteu totalmente à minha vida.


Desde a minha adolescência até hoje, quando minhas medidas eram contestadas, não houve um só dia em que não rolasse um comentário do tipo "mas você não é gorda, você é grande" ou, quando eu me achava gorda, e as pessoas viam uma pessoa realmente gorda, apontavam e me diziam "aquela pessoa sim é gorda, você não". Também já vi muita gente grande na rua e eu mesma perguntava pra quem estivesse comigo, "eu sou daquele tamanho?", e as pessoas sempre respondiam que não. Pois é. Vai entender.

Eu sempre fui "grande" pra minha idade. Quando eu era criança, eu era a mais alta da sala na escola, eu nunca podia brincar nos playgrounds, já tinha passado da altura mínima pra entrar de graça em determinados locais e eu nunca - NUNCA - cabia nas roupas das minhas amigas, primas etc... pegar algo emprestado, JAMÉ! Teve uma época que eu cabia nas roupas das minhas tias e só, mas essa época já passou também.


Até hoje eu sofro com meu tamanho. Eu tenho 1,71, estatura essa que arredondo pra menos sempre que posso. E por mais que eu seja grande, entro totalmente em contradição na hora de comprar roupas. Não tenho a neura do tamanho 38, até porque, nem que eu fosse magra eu vestiria 38 de forma padrão e estou tranquila quanto a isso. Maaaaas, porém, contudo, entretanto e todavia, vejam só, eu tenho peças no meu guarda-roupa do 38 ao 46, do P ao GG. É sério. Como pode isso, Braseeeeel? Até pq, diferença na fôrma de marcas e fabricantes tem limites né? Não pode ser tão discrepante assim. Se alguém desvendar esse mistério, me conte.

Outro fato contraditório é a indecisão da opinião das pessoas a respeito do meu "porte". Exemplo 1: "se você emagrecesse, ia ficar mais linda ainda". Exemplo 2: "Aaaah, se eu tivesse seu corpo...". Tudo isso foi proferido por uma mesma pessoa: minha digníssima própria mãe. Quer mais uma situação estranha? Quando eu fui agenciada como modelo, eles não sabiam se me encaixavam na categoria Plus Size, normal, passarela, fotografia... Mais uma? Olha só o que acontece muito comigo:


Outro dilema que me assola é o sapato. Embora eu seja "grande", calço normal, 37. Mas não é isso que me perturba. Usar salto alto no Ceará é uma árdua tarefa de mentalizar não se sentir estranha em um lugar onde a imensa maioria das pessoas vai ser mais baixa que você ou, com sorte, da mesma altura. Existe uma certeza na minha vida: quando eu saio de salto alto, meus pés vão doer. Mas não dói de forma simples como os pés das outras pessoas e nem eu sou do tipo de aguenta a dor do salto em nome do glamour e, por causa disso, tem algo que eu sempre digo quando, no meio da noite, meus pés começam a me torturar: Deus me deu um-metro-e-setenta-e-um de altura exatamente pra eu não precisar usar salto alto, mas eu sou teimosa. Só que aí é que tá... tem certos looks que pedem, almejam, implooooram por um salto!


Há uns dias atrás eu fiz uma postagem sobre a coleção Plus Size da Marisa e é possível que ninguém tenha entendido o porque de eu ter dito que não sei se as peças vão servir em mim. Eu explico. Pela mesma razão de eu ter peças de absolutamente todos os tamanhos no armário! Assim como posso entrar em um 38 ou em um 46, já aconteceu inclusive de nem a maior peça do tamanho "normal" entrar em mim, assim como nem a menor peça do tamanho plus size servir também. Só quem já viu o olhar estranho da moça da moça do provador quando você leva a mesma peça do tamanho M, G e GG pra experimentar entenderia.


Apesar da complicação, nada disso é exatamente um problema pra mim. Claro que me chateia quando não tem meu tamanho daquela saia linda, ou quando aquele vestido acaba ficando curto demais no tamanho M, mas no G fica frouxo... ou quando aquela blusa G de manga longa simplesmente não entra em mim por que meus braços não cabem na circunferência da manga. É um tanto frustrante, mas não chega a ser um problema, acho que pelo fato de que eu nunca vivi outra situação na minha vida, então não sei como seria se isso não acontecesse. Quem mais se identifica? Magrinhas, me contem, qual é a sensação de poder trocar roupas emprestadas com as amigas e primas de vocês?




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